GENA

Genival Costa de Barros Lima, o Gena, foi o melhor lateral direito que já passou pelo estado de Pernambuco. Nasceu em Recife no dia 11 de Maio de 1943, e começou a jogar bola nos campinhos de pelada de Santo Amaro, bairro onde nasceu e morou por toda a infância e adolescência.

Chegou ao Náutico em 62, e vestiu com muito orgulho, a camisa número dois alvirrubra durante oito anos. É um dos heróis do hexa, titular absoluto durante toda a vitoriosa campanha (63 e 68). Era um lateral direito clássico, elegante, tinha um senhor domínio de bola, além de bom marcador. Apoiava o ataque e realizava os cruzamentos na área com uma cavadinha milimétrica, era perfeito.

Gena participou de toda a campanha do Náutico na Taça Brasil, nas seis edições em que o clube de Rosa e Silva esteve presente. Ele elegeu a de 67 como a mais difícil e também a mais emocionante. Até mesmo por ter chegado à decisão do título. As disputas contra os mineiros, Atlético e Cruzeiro são lembradas pelo grau de dificuldade encontrada pelo Náutico em ultrapassar os dois adversários. A decisão contra o Cruzeiro então foi pura emoção, conta Gena. “A gente foi a Belo Horizonte para o jogo do Atlético, passamos por ele, e ficamos direto 5 dias por lá até o dia do 1º jogo contra o Cruzeiro. Daquele jogo lembro de tudo, como se fosse hoje. O placar tava empatado em 1×1, e já no finalzinho fui dar uma de Pelé, driblando dentro da nossa área, aí perdi a bola e os caras foram lá e fizeram 2×1”.

O que mais emocionou Gena foi que, no final do jogo todos os jogadores vieram consolá-lo! “Tem nada não, Índio! Lá em Recife a gente dá o troco, a gente pega eles de jeito”! Era voz uníssona.

Foi exatamente o que aconteceu. No 2º jogo o Náutico meteu 3×0 nos cruzeirenses, com vaga para mais, forçando a realização do 3° jogo. Este terminou 0×0 no tempo normal e na prorrogação, com o Náutico garantindo a vaga na final contra o Palmeiras.

Gena resumiu esse embate contra o todo poderoso Cruzeiro de Raul, Dirceu Lopes, Tostão, e companhia com os seguintes dizeres:

“Faziam fantasma do Cruzeiro.

O time que venceu Pelé.

Quando eles entraram no Mineirão, confesso que tremi.

Foguetes, gritos! E um hippie de camisa amarela puxando a fila.

Nós éramos apenas uns meninos nordestinos metidos a besta.

Uns moleques brincando de jogar bola com essa turma do sul.

Olhei o Dirceu Lopes. Menor que eu.

O Natal também. E Tostão, do meu tamanho.

Tostão não metia medo em ninguém.

Mas foi só a bola rolar e eles vieram pra cima de nós.

Tocando a bola, de pé em pé.

Eles não estavam preocupados conosco. E isso era bom.

Com pouco tempo o Mineirão se calou.

Os mineiros ficaram em silêncio quando Miruca empatou.

Como eu ia dizendo, eles vieram pra cima com aqueles toques.

Ainda lembro o grito de Tostão e Dirceu Lopes.

Quando bola venceu Lula Monstrinho no fim do jogo.

O Mineirão explodiu.

Eles eram campeões brasileiros. Nós perdemos por 2×1.

Pra gente estava tudo igual.

Mas quando lemos os jornais do dia seguinte.

A imprensa não acreditava na gente.

Seu Duque olhou na cara da gente, e não disse nada.

Nem precisava. Eu tive pena do Cruzeiro. Falo sério.

Eles estavam derrotados antes mesmo do segundo jogo.

Apenas pelo nosso olhar.

A Ilha do Retiro estava lotada. Gente saindo pelo ladrão.

Miruca bateu um pênalti, e gol! Bola de um lado. Raul do outro.

Mituca Chuta, e gol!

Lála mandou uma bomba no ângulo de Raul, e gol!

3×0 no Campeão do Brasil.

E agora bastava um empate na sexta-feira. Um empate.

E então eu olhei pra Lula. E ele disse que não ia passar nada.

Não sou bom com as palavras.

Lembro que a gente atacava, e eles atacavam. Sufoco.

O jogo durou horas. Eles foram se perdendo nas mãos de Lula.

Tragados pelo Monstro. Quando a gente viu tava ganho.

E começou a briga.

O Manuelzinho levou uma bolacha no pé do ouvido.

Todo mundo brigou, menos eu.

Eu fiquei pensando que não tinha Santos.

Não tinha Cruzeiro.

Só tinha o Náutico no mundo!

Que Noite!

Gena jogou pelo Náutico até o final de 1969, quando entrou em cena um gringo, um galego. Ele chegou nos Aflitos numa Mercedes conversível cor de vinho, trazendo na mão uma maleta. O gringo entrou na sala do presidente do Náutico, Dr. Luciano Azevedo, e apenas perguntou quanto era? Quanto era o passe de Gena? Preço dado, o gringo abriu a maleta e tirou tudo em notas novinhas em folha, tinham saído do forno naquela tarde. Pronto, Gena agora não era mais alvirrubro. O Santa Cruz acabava de comprar o passe do melhor lateral direito do futebol pernambucano por uma fortuna, em espécie! O gringo era James Thorp.

Gena foi campeão pelo Santa Cruz (70 e 71). Depois foi descansar um pouco. Afinal, ninguém é de ferro. Tinha sido oito vezes campeão pernambucano. No ano de 2000 Gena passou por uma delicada cirurgia (transplante de fígado), conseqüência de uma hepatite C. Hoje passa muito bem, faz suas revisões médicas e toma seus remédios corretamente. Ele tem uma gratidão muito grande aos médicos Dr. Cláudio Lacerda (chefe da equipe cirúrgica de transplante de fígado) e a Dra. Leila Beltrão (hepatologista clínica)

Gena relembra dois grandes momentos de sua carreira. O primeiro quando ganhou do Santos no Pacaembu por 5×3 (1966), e no fim do jogo pediu para trocar de camisa com Pelé. O rei deu um carinhoso abraço no Índio e disse: “tu joga muito, cara! Gena guarda esta camisa com todo carinho. Nunca foi lavada. O tempo se encarregou de desbotá-la, mas as lembranças, mesmo 47 anos depois, essas estão bem vivas na sua memória.

O outro foi na Prefeitura do Recife, quando teve outra oportunidade de encontrar-se com o rei do futebol, que mais uma vez reiterou as qualidades de Gena: “ele marcava e apoiava como ninguém. “Foi o melhor lateral direito do Nordeste”!

Por: Carlos Henrique

Uma resposta a GENA

  1. João Aurélio disse:

    GENA! Maior lateral direito que já vi jogar. Não devia nada, nadinha aos outros laterais brasileiros. Tinha vaga na Seleção Brasileira de qualquer época. Valeu Gena!

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