Rolava um papo-cabeça com meia dúzia de amigos no agradável encontro sabático quando um deles jogou no ar a pergunta: “O que é a felicidade?” Dirigiu-me o olhar e, imperativo, cobrou: “a pergunta é para você, Gustavo, e responda rápido!”.
Imaginou, depois confessou, que eu iria patinar na maionese filosófica desde os filósofos gregos, passando pelo ceticismo trágico dos que não identificam sentido na existência humana até chegar ao contraponto da declaração de independência dos Estados Unidos que proclama que são “verdades auto-evidentes que o Criador dotou todos os homens com certos direitos inalienáveis e que, entre estes, estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade”.
Respondi em cima da bucha: felicidade para mim é o Náutico ser campeão! Por essa não esperavam e antes de qualquer gozação, antecipei-me: “imaginem como tenho sofrido neste jejum de títulos. Sofro muito. Mas vi e vivi também o outro lado da moeda a felicidade de saborear um hexacampeonato, a merecida e incontestável supremacia de uma equipe e de toda uma geração que ultrapassam as fronteiras do Estado de Pernambuco e avançam, insuperáveis, no decorrer do tempo
É uma felicidade que dura meio século.
É um orgulho que, alicerçado em glória, não sucumbe aos reveses comuns à instituições esportivas centenárias. Nelas, haverá sempre o sabor da vitória e o travo da derrota. Mas uma coisa é certa e deve ser repetida: como foi difícil ser seguidamente seis vezes campeão (duas vezes invictas) e como é difícil alcançar esta marca que completa meio século.
E mais: numa época em que os campeonatos eram disputados entre forças equivalentes economicamente, valendo, de forma decisiva, a qualidade das equipes.
No prefácio que escrevi para A Guerra dos seis anos – a saga do Hexa, livro de autoria do jornalista e grande alvirrubro Paulo Augusto de Oliveira destaquei, entre outras, três razões do sucesso: prolongada gestão eficiente e eficaz; permanente e inovadora formação de atletas; e a capacidade inesgotável, dentro e fora do campo, de superar adversidades. Vamos, estou certo, reencontrar estes caminhos. O futuro nos aguarda.
Não falarei em nomes. Eles, atletas, comissões técnicas e dirigentes, estão imortalizados pela feito histórico e heroico.
Sou gratidão pura porque devo a todos 50 anos de felicidade!
Por: Gustavo Krause