Amanheceu, finalmente! Nunca um dia demorou tanto pra chegar.
Café da manhã com meus pais, conversa com os meninos da Rua da Hora. A manhã do domingo passou rápido.
Foi só almoçar e seguir para os Aflitos, caminhando pela Rosa e Silva.
Um mar de gente. Meu pai ia na frente. Eu, Marquito e Guila logo atrás. Bandeira alvirrubra em punho.
Fila na bilheteira da Angustura. Fila nos portões de acesso. Gente saindo pelo ladrão.
Sociais tomadas de gente. Mesmo em pé, só conseguia ver as cabeças dos jogadores.
Fogos, rojões, muitos ao meu redor. Ensurdecedor. Gritos de N A U T I C O.
Do jogo mesmo não guardo muitas lembranças. Mas não me esqueço do entardecer daquele domingo 21 de julho.
Refletores acesos, e o sol se pondo no horizonte. Disso eu lembro muito bem.
Foi nesse momento que o estádio quase veio abaixo. Gol do Náutico, Ramos.
Ele corre até as sociais. A alegria dele não é maior que a minha.
Fim de jogo. Festa nos Aflitos. Invasões no gramado.
A volta pra casa foi só alegria. Eu Marquito e Guila. Sim, e meu pai. Sem ele nada disso teria acontecido.
A noite do domingo se arrastou pela madrugada, rádio ligado, comentários, e reprise do gol de Ramos.
Não lembro da hora que o sono chegou. Só sei que aquele domingo durou mais horas que os outros.
Foi para mim, o mais longo dos dias!
Cinquentenário do Hexa -21 de julho
Por: Roberto Vieira