Chamusca tem estreia promissora no Náutico e traz ideias ao legado de Hélio por retomada na Série B
Vitória vem acompanhada de superioridade na maior parte do jogo, com demonstrações positivas que unem ideias dos dois treinadores
A estreia de Chamusca no comando técnico do Náutico foi promissora.
A equipe reacendeu algumas das boas virtudes que marcaram o início da Série B e introduziu pequenos detalhes que funcionaram na vitória por 1×0 contra o CSA, em Maceió, pela 20° rodada do campeonato.
Antes mesmo de entrar na análise técnica e tática dessa partida é importante destacar que a vitória por si só já bastaria para o momento.
O mais necessário era acabar com a sequência de seis rodadas sem vencer, cinco derrotas consecutivas e quatro jogos sem balançar as redes adversárias.
Esses números assustam ainda mais quando estamos falando de uma equipe que vinha impressionando pelo ótimo rendimento e que se manteve invicta nas primeiras 14 rodadas.
Era fundamental brecar o acúmulo de resultados ruins e voltar a vencer, reconquistar a confiança deveria ser o primeiro alvo do novo treinador e essa confiança só volta com bons resultados.
Pra melhorar ainda mais esse primeiro jogo de Chamusca, a vitória veio acompanhada de superioridade na maior parte do jogo, com demonstrações positivas que uniram ideias de Hélio dos Anjos e do novo treinador.
Náutico volta a ser dominante
O Náutico se mostrou novamente dominante no primeiro tempo, teve maior posse de bola, alugou o campo de ataque, mas ainda sem gerar o mesmo volume ofensivo de suas melhores apresentações, mas aos poucos foi transformando o goleiro Lucas Frigeri do CSA na principal peça em campo.
O time conseguia abafar a saída de bola do adversário e pressionava após perder a posse, algo marcante na “Era Hélio dos Anjos”, mas Chamusca buscou alternar essa marcação, claro que com Hélio também havia momentos em que a equipe precisava recuar sua linha defensiva e fechar espaços próximo a sua área, mas nesse primeiro teste com o novo comandante parecia ser algo mais programado, não acontecia apenas quando o CSA furava um primeiro bloqueio alvirrubro, mas sim uma tentativa de variar seu modelo de jogo, descansar os atletas e diminuir a exposição dos zagueiros.
O fator Vinícius, Bryan e Jean Carlos
Ainda na primeira etapa, deu pra perceber um padrão de troca de posições entre Jean Carlos e Vinícius, enquanto o camisa 10 aparecia na ponta esquerda, o atacante era opção de passe por dentro. Não acontecia esporadicamente, mas também não era uma inversão de funções entre os atletas, indicava uma tentativa de trazer algo diferente e explorar os cruzamentos de Jean, as descidas de Bryan pelo meio e a explosão de Vinícius mais perto da grande área.
Essa movimentação pouco aconteceu no segundo tempo e o Timbu voltou a ter Vinícius pelo corredor lateral, algo que contribuiu para o crescimento dele no jogo, e Jean Carlos flutuando nas costas dos volantes do time azulino.
Um outro ponto que vale registro foi a “volta” de Rhaldney, o ótimo volante do Náutico vinha em fase de oscilação, tendo rendimentos muito mais baixos do que nos acostumamos desde a reta final da Série B passada.
Nesse confronto foi bem mais comum vê-lo novamente chegando na área do CSA e participando da construção e infiltrando na área.
O volante teve ótimos números de desarmes, passes, interceptações e duelos individuais ganhos.
É justo fazer referência a Djavan, um volante de imensa oscilação, mas que fez boa partida, sendo o suporte defensivo que Rhaldney precisava pra sair pra o jogo e contribuir na frente.
Náutico retoma o domínio com o gol
No segundo tempo o duelo virou e o CSA voltou melhor, passou a dominar a posse de bola e encontrando espaço pra finalizações, obrigando Alex Alves a fazer defesas importantíssimas, que mantiveram seu time vivo na partida.
O Náutico passou a jogar dentro do seu campo de defesa, tentando sair em velocidade, mas nem sempre fechou bem os espaços na intermediária e Bruno Mota, meia atuando como falso 9, se destacava com bons passes, desarticulando a defesa Timbu.
Percebendo esse crescimento do CSA, Chamusca tirou o já amarelado Djavan recuou Rhaldney e colocou Marciel no meio-campo, queria recuperar o domínio das ações ofensivas e impedir que Bruno Mota seguisse fazendo a diferença na criação adversária.
A mudança até estreitou as atuações coletivas, mas o Náutico ainda não havia conseguido ter o jogo em suas mãos novamente, algo que só aconteceu aos 25 minutos, ao abrir o placar com gol de Vinícius de cabeça, após escanteio cobrado por Jean Carlos.
A partir desse momento, o Timbu retomou o jogo, não tinha a bola, mas tinha o controle, Alex Alves parou de ter trabalho e a equipe voltou a ter boas oportunidades, transformando Lucas Frigeri no melhor em campo.
O primeiro Náutico de Chamusca reativou a esperança de um time que parecia em declínio, o novo treinador foi inteligente por não apagar o legado de Hélio.
Ele soube usar aquilo que foi herdado, mas já iniciou mostrando sua capacidade de interferir, trouxe seus conceitos pra se juntar ao que já existia, sem exagerar pra não confundir uma equipe que já tem um DNA muito bem definido e, ao invés de recomeçar o trabalho, Chamusca está somando ideias.
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Matéria: https://ge.globo.com/pe/blogs/cabral-neto/post/2021/08/25/chamusca-tem-estreia-promissora-no-nautico-e-traz-ideias-ao-legado-de-helio-por-retomada-na-serie-b.ghtml
Por: Cabral Neto/Globo Esporte
Foto: Tiago Caldas/Comunicação Náutico
Alex Alves foi muito bem no jogo com o CSA! Tomara q continue assim!
Será que precisamos de goleiro mesmo ?