Hélio dos Anjos fala sobre evolução de técnicos veteranos e admiração por treinador italiano
Aos 62 anos, comandante do Náutico afirma que buscou se reinventar para não perder espaço no mercado; uma das referências dele é Gian Piero Gasperini, da Atalanta-ITA
Hélio dos Anjos, 62 anos, é um técnico da velha guarda. Ele é treinador há 35 anos. Isso não significa, no entanto, que seja um profissional ultrapassado. O comandante do Náutico revela que, desde 2012, tenta se atualizar regularmente, faz cursos e assiste a muito futebol internacional, no qual encontrou um treinador que admira muito: Gian Piero Gasperini, da Atalanta-ITA.
Ao contrário de outros treinadores mais experientes, Hélio dos Anjos vê a mudança do futebol com entusiasmo. Para ele, é natural que o esporte avance. E cabe ao profissional da área estudar para estar sempre bem preparado.
- O desenvolvimento com o passar do tempo é obrigatório. Não tem como permanecer 35 anos no mercado sem evoluir.
O treinador afirma, no entanto, que esse reconhecimento da necessidade de atualização não foi algo que lhe surgiu espontaneamente. Um dos responsáveis por isso é o seu filho, Guilherme dos Anjos, auxiliar técnico do pai.
De outra geração, Guilherme frequentou universidade, cursou educação física e convenceu o pai de que o caminho para se manter em clubes importantes era o aprendizado contínuo.
- Quem me chamou atenção foi Guilherme. Em 2012 ele começou a trabalhar comigo, comecei a ver, discutir situações com ele. E as oportunidades estão dadas. Fui um dos primeiros a participar do curso Pro da CBF. Fui da primeira turma. Me envolvi totalmente com os coordenadores, com os companheiros que fizeram em 2016, voltei para a segunda etapa em 2018.
Guilherme também teve papel importante na adesão de Hélio às ferramentas tecnológicas contemporâneas: softwares de vídeos, dados, aplicativos para análise de desempenho.
- Eu tive que estudar mais a área de tecnologia, me envolver um pouco mais, porque ela é uma área complexa, mas oferece um leque de informações muito grande.
Referência internacional
Por conta disso, Hélio passou a ver mais partidas do futebol internacional, onde estão os clubes mais ricos e os melhores jogadores do mundo. Dizendo-se apaixonado por assistir jogos, ele cita o Liverpool como uma fonte de inspiração. Mas é à Atalanta de Giampiero Gasperini que ele dirige elogios mais abertos.
É que Gasperini subverte, segundo Hélio, a ordem natural das coisas. Ele só chegou aos maiores holofotes do futebol após uma longa carreira em times menores e de apenas moderado sucesso no futebol italiano (além de uma passagem breve pela Internazionale, uma das gigantes do país).
- Eu sou encantado com o jogo do Liverpool, porque a mobilidade de três volantes o tempo todo, marcação alta, flutuação de centroavante, chegada fortíssima dos dois laterais.. é lindo. Tenho acompanhado a Atalanta, vendo o que Gasperini está fazendo. E aí tem uma coisa: Gasperini começou a fazer sucesso no futebol após os 60 anos.
Todas essas reflexões vieram à tona há poucas semanas, na longa conversa que Hélio revela ter tido com Luiz Felipe Scolari, antes do jogo Cruzeiro x Náutico, pela penúltima rodada da Série B. Profissionais da bola há tantos anos, era natural que o assunto dominante fosse o futebol.
“Estávamos comentando a evolução do futebol. E a juventude foi importante porque mexeu com a gente. Eu tive que acompanhar. Eu fui para uma sala de aula com treinadores que podiam ser meus filhos. E eu tinha que acompanhar raciocínio, apresentar treinamento como eles.”
Mas Hélio sabe que o futebol não foi criado na última década. Há muitas coisas do passado que permanecem decisivas para a formação de times vitoriosos.
- O vocabulário bom é o que o jogador entende. Se eu falar para ele verticalizar, dar profundidade, ele tem que entender o que eu estou dizendo. Se não, a gente procura outra forma. Com essa evolução toda, estão falando muito de dar treino. Dar bom treino é obrigação de treinador. Mas gerenciar grupo e estruturar equipe para o jogo é que faz uma diferença maior.
Pelo Náutico, os conceitos de Hélio dos Anjos funcionaram. Ele assumiu o Timbu na 21ª rodada da Série B passada. Àquela altura, a equipe estava na 18ª posição da tabela, a oito pontos de sair da zona de rebaixamento.
Sob o comando do treinador, o time cresceu, melhorou o aproveitamento, ficou invicto em casa e conseguiu escapar da queda com uma rodada de antecedência. Pelo trabalho, Hélio foi recompensado com a assinatura de um novo contrato até o final da temporada 2021.
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Matéria: https://globoesporte.globo.com/pe/futebol/times/nautico/noticia/helio-dos-anjos-fala-sobre-evolucao-de-tecnicos-veteranos-e-admiracao-por-treinador-italiano.ghtml
Por: Rômulo Alcoforado/Globo Esporte Recife
Foto: Caio Falcão/Comunicação Náutico e Tullio Puglia/UEFA via Getty Images